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Dos escritos de Chiara Lubich - Iniciamos este nosso encontro, com uma breve reflexão sobre a espiritualidade da unidade, do modo como é vivida no Movimento dos Focolares.
No decorrer de mais de 50 anos, esse dom de Deus, esse carisma - porque se trata de um verdadeiro carisma – fez nascer um modo evangélico de viver, abriu um caminho para poder responder às necessidades dos tempos e da sociedade humana, ao mesmo tempo em que impulsiona e forma construtores de unidade, de fraternidade, de solidariedade, de paz, no mundo em que vivemos.

 

O impacto desta mensagem de vida, em milhares de pessoas, foi surpreendente, e acolhido por todos: grandes e pequenos, leigos e religiosos, gente simples e grandes personalidades. Penso que seja interessante escutar um testemunho muito particular: o de Igino Giordani, escritor e homem de fé, que representava um modelo de intelectual e de político cristão para muitos dentre nós, jovens católicos do imediato pós-guerra.
Quando em Montecitório em 1948, encontrou-se com este carisma, através de Chiara Lubich, “aconteceu algo em mim” - escreve. “Aconteceu que, aqueles pedaços de cultura, justapostos, começaram a se mover e a se animar, engrenando-se para formar um corpo vivo (...). Tinha penetrado o amor e informado as idéias, arrastando-as para uma órbita de alegria. Aconteceu que a idéia de Deus cedeu o lugar ao amor de Deus, a imagem ideal do Deus vivo (...).
“Tendo encontrado o Amor, encontrei-me, quase imediatamente, no circuito da Trindade. Todos os dogmas, todos os conhecimentos saíam dos compartimentos da memória e se tornavam elementos vivos: sangue do meu sangue. Passava da biblioteca obstruída pelos livros à Igreja habitada pelos cristãos.
Agora entendo o que estava acontecendo. Estava recebendo uma espécie de revelação – ou uma explicação da revelação – que produzia em mim uma espécie de conversão nova (...)
“Compreendi, então, o que o Senhor teria querido sugerir, no Evangelho de João, quando usou as imagens de luz, de amor, de renascimento e de Espírito. Entrara o fogo. O Espírito Santo, vento impetuoso, havia retirado obstáculos e defesas; sob o seu sopro, o incêndio alastrava: na nova luz, descobria-se Deus e os irmãos”.1
Citei este trecho de Igino Giordani porque, feitas as devidas proporções, essencialmente foi aquilo que ocorreu a milhares de pessoas a contato com a experiência de Chiara e de suas primeiras companheiras. De fato, na experiência delas, o primeiro passo, decisivo e fundamental, foi uma verdadeira e própria iluminação, uma “re-revelação” de Deus, se assim se pode dizer.
Mas, para se ter uma idéia do que esta descoberta representou para elas e para muitos outros, se faz necessário situá-la historicamente, tendo como pano de fundo um contexto existencial onde tudo falava de ódio e de destruição. Eram tempos de guerra. Chiara falou, mais de uma vez, sobre seus primeiros passos numa cidade devastada pelos bombardeios, quando teve que deixar a família, em virtude da promessa feita a Deus de permanecer em Trento, ao lado de suas primeiras companheiras. Veio-lhe ao encontro, uma mulher, toda despenteada e enlouquecida pela dor, que lhe gritava aos ouvidos: “Quatro dentre os meus morreram”. A reação imediata de Chiara foi se esquecer de sua tragédia pessoal para identificar-se tornar própria a dor de uma humanidade conturbada e desesperada.
Mas, o que poderiam oferecer-lhe – ela e suas primeiras companheiras – para sanar as chagas e preencher os vazios assustadores que se escavavam nas consciências, com a perda de tantos afetos e de tantos bens? Aquela descoberta era algo que havia fulgurado suas almas, em meio a um mundo que desmoronava. Sim, havia algo que não desmoronava, que nada podia destruir, um único e verdadeiro ideal: Deus. Um Deus que, no mais gritante contraste com aquilo que acontecia ao redor delas, revelava-se por aquilo que era: Amor.
“A sua luz sutil – escreve Chiara – (hoje diríamos: luz do carisma) entrava e iluminava, revestia a alma, sem suprimir o pensamento precedente, mas substituindo-o lentamente”. 2
Até o dia em que as palavras de um sacerdote, recebidas como voz de Deus, tocaram-lhe como nunca: “Recorde-se que Deus ama imensamente você”.
Eis então a reação: “É uma fulguração – escreve Chiara -: Deus me ama imensamente. Digo e repito para as minhas companheiras: Deus te ama imensamente. Deus nos ama imensamente.
A partir daquele momento, percebo Deus presente em tudo com seu amor: nos meus dias, nas minhas noites, nos meus ímpetos, nos meus propósitos, nos acontecimentos alegres e reconfortantes, nas situações tristes, escabrosas, difíceis.
Está sempre presente, está em cada lugar e me explica. O que é que me explica? Que tudo é amor: aquilo que sou e aquilo que me acontece; aquilo que somos e aquilo que nos diz respeito; que sou sua filha e Ele é meu Pai; que nada escapa do seu amor, nem mesmo
os erros que cometo porque Ele os permite; que seu amor envolve tanto os cristãos como eu, como a Igreja, o mundo, o universo.
A conversão aconteceu. ‘A novidade’, de repente, iluminou minha mente : sei quem é Deus. Deus é Amor.
Esta é a nossa grande, enorme descoberta.
Nós acreditamos no amor. Esta é a nossa nova vida. Por isto, manifestamos o desejo – se viéssemos a morrer por causa da guerra - de ser sepultadas num único túmulo com o seguinte escrito que exprimia o nosso ‘ser’: “E nós acreditamos no amor” (1Jo 4,16)”.3
E esta descoberta, tão atraente e envolvente, não podia ser silenciada e vivida em nível puramente interior e individual. Trazia em si uma forte força difusiva. Aquela escolha de Deus, mesmo sendo pessoal, deveria ser compartilhada e se tornar patrimônio comum. Numa oração daqueles primeiríssimos tempos, Chiara pedia a Deus duas coisas: “Concede-me amar-Te imensamente e tornar-Te imensamente amado”.4
Deste modo, o carisma da unidade iniciava aquele anúncio que é o coração do ‘kerigma’ típico do cristianismo, citado na última Carta Apostólica do Santo Padre: “O anúncio alegre de um dom que é para todos – escreve o Papa – o dom da revelação de Deus Amor...”5
Esta mensagem foi levada ao mundo inteiro e atualmente são 185 as nações nas quais o Movimento se difundiu, formado por pessoas de diferentes credos e também por pessoas que não possuem um referência religiosa. Para todos eles vale o empenho de colocar Deus no primeiro lugar da própria vida ou de antepor a tudo os grandes valores, tais como a paz, os direitos humanos, a liberdade, a justiça, a solidariedade, etc. E, dentre eles, o amor aos outros, impresso no DNA e cada homem ou mulher sobre a terra.
É uma escolha, uma mudança radical de vida que, pouco a pouco, nos leva a realizar a fraternidade com quem vive ao nosso lado. E é este a nossa pequena contribuição para a fraternidade universal.

O Movimento dos Focolares e a Espiritualidade da Unidade

Dos escritos de Chiara Lubich
Organização de Enzo Maria Fondi

Tradução de Fàtima SP

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1 Igino Giordani, Memorie di um cristiano ingenuo ,Roma 1981,pp.150-151
2 Chiara Lubich, Aos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, 13.02.1979.
3 Chiara Lubich, Aos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, 13.02.1979.
4 Chiara Lubich, Carta à Mariápolis de Loppiano,1.12.1969
5 João Paulo II, ‘Novo millenio ineunte,’ 56

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